terça-feira, 29 de novembro de 2016

Sobre amar a vida

Sobre desapegar-se de tudo o que nos conforta moralmente, sobre pensar profundamente questionando, sobretudo, a si mesmo. Sobre amar a vida ainda que ela não possa ser o que por muito tempo desejamos que ela fosse. Amá-la, quem sabe, e justamente, por esse “não ser”:
“A confiança na vida se foi; a vida mesma tornou-se um problema. Mas não se creia que isso torne alguém necessariamente sombrio. Mesmo o amor à vida é ainda possível – apenas se ama diferente.” Nietzsche, A Gaia Ciência. <3

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

estantes vazias

Na galeria de troféus da vida prefiro as estantes vazias dos que tem o coração cheio de entregas.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Há dores que (co)movem?

Quanto pode a dor paralisar e o quanto consegue mover? Algumas dores tem pernas que não andam: debatem-se.

solitários, uni-vos!

Se argumentam que a única união possível é aquela capitaneada pelo medo não temo a solidão de pensar diferente.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

a insustentável leveza

Há levezas que só são visíveis no fundo. Não é preciso ser pesado para habitar profundidades.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Minha fé

Acredito muito nas palavras. Tenho o canto como profissão e um profundo interesse por filosofia por causa dessa "fé". Acredito que as palavras com e sem melodias podem nos transformar, podem curar, podem salvar. Ainda que seu poder não dure mais que um instante, que uma frase, que uma canção... Acredito especialmente no diálogo como ferramenta corajosa de construção e descoberta de novas ideias, novos sentimentos, novas possibilidades, novos olhares... Porque o contrário disso é a guerra, a indiferença, o medo, o ressentimento... É a resignação de um silêncio que já não pode compor sentidos entre os interlocutores, entre dois acordes ou.entre uma frase e outra. É a consolidação de um silêncio que é apenas testemunha triste da ausência de empatia ou da falta de um querer compreender e ser compreendido.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A pedra que virou flor não se arrepende

"A flor que virou pedra não se arrepende." 
A pedra que tornou-se flor também não.

para Rodrigo Freire

terça-feira, 8 de novembro de 2016

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Só as pontes são felizes

Como rios que se fundem e já não se pode distinguir suas águas, assim são minhas lembranças. As imagens e acontecimentos se misturam a enxurradas de sonhos, emoções, sentimentos e fluem sem que eu possa delimitar precisamente suas margens. Talvez porque meus melhores momentos quando criança tenham sido na água, minhas memórias se tornaram líquidas. Vez em quando evaporam sem aviso para qualquer dia voltarem com leveza, como chuva fina num entardecer de verão.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Se a dor vier que me encontre vivendo

Não é possível evitar a dor, mesmo que evitemos ao máximo as fontes de sofrimento conhecidas. Até mesmo empenhar-se em esquivar-se da dor pode ser motivo para sofrer. Mas é possível aprender com os erros. É possível desacomodar-se. É possível não sermos conscientemente negligentes com nossos sentimentos, sonhos e anseios. Se a dor vier que me encontre vivendo.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Verdades convenientes

Não é problema que suas "certezas" sejam convenientes a você. Que suas convicções eventualmente venham ao encontro de seu modo de ser/desejar/estar no mundo. O problema é quando elas são só isso, apenas conveniências muito particulares tomadas como verdades absolutas.