Eu acho interessante como pessoas passam uma vida investindo na procura de reconhecimento, valor e importância, mas não dedicam um minuto sequer ao aprendizado de como lidar com a própria desimportânca ou insignificância que é inerente a todos nós. Ninguém é poderoso em todos os lugares, nem importante pra toda gente. E perante a complexa natureza ou a vastidão do universo então?
Inclusive importância é um termo bem relativo, né? No ambiente das redes, por exemplo, em que pessoas se auto denominam influentes por nada em especial, em que mesmo se alicerça a importância? O quanto ela, se existe, resiste ao tempo, a uma verificação mais crítica ou aos caprichos do dono da plataforma? Afinal, likes produzem "influência" na mesma medida que importância?
No que se refere às relações o assunto é espinhoso: quantas vezes vc já se apaixonou ou julgou ter achado o amor de sua vida enquanto para a outra pessoa vc era apenas um contato? Você já refletiu que talvez não seja considerado o melhor amigo para o seu melhor amigo?
Quando perdemos alguém que amamos é comum que nos lembremos da impermanência ou da urgência de viver. Mas raramente nos permitimos pensar sobre insignificância nesses episódios de luto, pque ela ofende nossa dor e não fala bem do tempo, que tornará as lembranças dos encontros de outrora frágeis e longínquas, mesmo que sob nossos protestos.
Talvez seja dolorido demais lidar com nossa própria desimportância, pque viver é, em algum grau, lutar contra ela. Mas se estamos numa época em que a busca incessante por likes, a promoção individual excessiva e a egolatria produzem mais doença e tristeza que importâncias reais, não seria melhor pensar sobre essa dor?
sexta-feira, 25 de novembro de 2022
Desimportantes
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