Estamos todos muito impregnados da noção de desejo como falta. Consumimos sob o jugo dessa noção. Estabelecemos relações pessoais baseadas na falta. E isso afeta profundamente nosso modo de estar no mundo. Nos entristece.
E no quesito relações não só no sentido de procurar no outro o que supostamente nos falta (essa noção terrível de que há algo faltando em mim que precisa ser preenchido) mas também de desejar o outro pela própria falta dele, de sentir-se atraído pelo que ele não mostra, pelo que ele dissimula por medo ou estratégia, uma falta tomada como charme ou como mistério, como algo de grande valor. Há pessoas que se tornam escravas desse modo de desejar e outras que aprendem a manipular esse desejo para seu lucro ou prazer. Quem busca no outro algo que julga faltar em si mesmo morre abraçado na falta. E, não raro, erra feio na procura. Não só porque não cabe ao outro responsabilizar-se por tamanha façanha, mas também porque a falta não é boa guia, nem conselheira. Além do mais, ancorar o desejo na falta é castrar a própria vocação do desejo. Claro, se entendermos o desejo como potência, como impulsionador de vida, |
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Desejo é tranbordamento
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